Primeira habilitação no CFC atrai cada vez menos alunos

Não bastasse a crise e uma série de novas regras para a formação de condutores, o interesse dos jovens em aprender a dirigir está cada vez menor, exigindo das autoescolas uma determinação nunca antes vista.

Já reparou como tudo tem mudado tão rapidamente que mal conseguimos acompanhar? A primeira habilitação no CFC dificilmente deixará de ser o carro-chefe do negócio tão cedo. Mas convenhamos: ela já não tem atraído mais tanta gente.

As mudanças começaram pela base: a chamada geração Y (hoje entre 26 e 35 anos) e a geração Z (até 25 anos) – justamente o público-alvo preferencial das autoescolas, tem se mostrado propensas a andar de bicicleta e utilizar transporte público ou compartilhado por aplicativos.

Com a mudança de hábitos das novas gerações, as autoescolas se veem forçadas a reduzir custos, inovar nos serviços e se colocarem como as escolas que são, e não somente como “despachantes”.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou no final de 2018 um estudo surpreendente. A pesquisa feita com 1789 pessoas em diversas capitais mostrou que somente 39% dos entrevistados da geração Y e 23% da geração Z  possuíam carro.

O estudo também revelou um dado ainda mais preocupante: cerca de 30% dos entrevistados de todas as idades respondeu que não pretendia comprar um carro. E apenas 35% dos entrevistados até 25 anos tiraram sua CNH.

Entender melhor o problema é uma boa forma de pensar em soluções

Não adianta lutar contra a realidade, mas é preciso falarmos sobre ela antes de pensarmos em soluções.

Já se foi o tempo em que tirar a carteira de habilitação e comprar um carro ainda com 18 anos era símbolo de status, maturidade e independência.

O desinteresse dos jovens pelos automóveis é uma tendência mundial e tem diversas causas:

  • Agravamento da crise econômica;
  • Aplicativos de transporte compartilhado (carona);
  • Aplicativos de transporte pago;
  • Prioridade de investimento em cursos universitários;
  • Trânsito cada vez mais problemático;
  • Preocupação com o meio ambiente;
  • Altos custos para manter um veículo próprio;
  • Rejeição a burocracia e impostos;
  • Maior consciência sobre o risco de acidentes;
  • Endurecimento das punições, como a Lei Seca.

Por estas e muitas outras razões, o governo, o setor automobilístico da indústria e as autoescolas vivem momentos de ansiedade e muitas incertezas.

O que se pode afirmar com poucas chances de errar é que não se trata de modismo passageiro.

Para o futuro já estão sendo testados veículos autônomos, que dispensam a necessidade de condutores. Se o desinteresse hoje já é grande, a tendência é aumentar.

Tanto que até o Ministério da Economia já declarou oficialmente:

“É uma tendência para os próximos cinco anos a diminuição do interesse pela propriedade de automóveis e o aumento da procura por compartilhamento de veículos e uso de soluções alternativas, como bicicletas e patinetes”.

O quadro não parece ser dos melhores. Mas só para quem é mais apegado a velhos modelos de negócios.

Apontando algumas alternativas à primeira habilitação no CFC

Geralmente a solução para um problema está dentro do próprio problema.

Se o que causa a queda na procura pela primeira habilitação no CFC é o desinteresse das novas gerações, a solução é despertar o interesse deste mesmo público oferecendo outros serviços.

Recentemente já demos um exemplo de como um problema pode se transformar em um diferencial.

Pois vamos novamente indicar alguns caminhos possíveis para te ajudar a ter suas próprias ideias e inovar em sua forma de atrair e atender essa nova e exigente clientela.

Oferecer opções

Como se tudo o que já dissemos fosse pouco, as autoescolas sofreram um novo golpe em 2019. Prova de que há outros problemas além da primeira habilitação no CFC.

A carga horária para obtenção da Autorização para Conduzir Ciclomotor baixou para 5 horas/aula pela nova regra do Contran.

Além disso, os interessados na obtenção da categoria agora podem apenas realizar as provas, sem fazer as aulas.

Só que a regra mudou somente para as chamadas “cinquentinhas” (até 50cc). Para cilindradas maiores, as autoescolas ainda têm um papel fundamental.

E esta pode, inclusive, ser a salvação de muito CFC. Segundo dados da Fenabrave, mais de um milhão de motos serão vendidas no Brasil até o final de 2019.

Só este ano a entidade reviu três vezes este crescimento (sempre para cima). A última projeção mostra um crescimento de 14%.

Precisamos lembrar que uma fatia substancial destes compradores é composta pelos que não pretendem adquirir ou dirigir automóveis.

Ou seja: continua cabendo à autoescola o papel de formar alunos confiantes e competentes. Mudou apenas o veículo.

Considere que os novos pilotos, mesmo os de ciclomotores, podem ser atraídos para suas aulas quando sentirem medo, insegurança, possuírem algum trauma decorrente de experiências ruins no trânsito ou não dispuserem de uma moto para praticarem.

Divulgue a ajuda que seu CFC pode oferecer nestes casos!

Dar suporte

Como todos já sabem, os condutores que tiveram o direito de dirigir suspenso por cometerem infrações devem realizar cursos de reciclagem.

Muitos estados já regulamentaram as modalidades de EAD (Ensino a Distância) e a maioria dos condutores prefere esta solução.

Mas para aqueles que não se sentem muito confortáveis com a tecnologia, os CFCs também podem se credenciar para oferecer os cursos.

Oferecer mais esta opção aos clientes tem um custo mais baixo que os cursos de formação.

Uma opção semelhante são os cursos de Conduapps que já começam a ser exigidos, inicialmente em São Paulo.

Eles também são oferecidos online pelas pelas próprias empresas, como UBER, 99 taxi e Cabify, mas também é possível credenciar CFCs para ministrar as aulas.

Nestes e em outros casos, é importante testar os serviços oferecidos, verificando demandas, custos e colhendo o feedback da clientela.

A ideia, obviamente, é definir o que vale mais a pena para o seu negócio, indicando um norte (que pode mudar constantemente).

E é bom se acostumar, porque o mundo dos negócios está cada vez mais dinâmico.

Reduzir custos

Com os golpes vindos de todos os lados, até encontrar novas formas de prosperar, os CFCs precisam encontrar formas de sobreviver.

Por isso é importante baixar os seus custos. É o famoso “dar dois passos para trás”.

Uma ideia que tem se disseminado e ajudado muita gente são os chamados “centrões”.

Trata-se de uma unificação de autoescolas de uma mesma cidade com o intuito de dividir os custos da aplicação da parte teórica dos cursos.

A redução dos custos com o espaço físico é a maior motivação para essa união.

A ideia do rateio do aluguel do espaço surgiu com a dificuldade de fechar turmas com a quantidade mínima de alunos.

Aliás, eles também ganham com essa solução encontrada pelos gestores dos CFCs, pois não precisam aguardar turmas se formarem para iniciarem um curso.

Excelente ideia, não é mesmo? E você, já teve alguma ideia inovadora surgida em um momento de dificuldade? A queda da procura pela primeira habilitação no CFC já afetou o seu negócio? Compartilhe com a gente!

E continue lendo nossos artigos para ter mais insights para a gestão de seu CFC.

 

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